domingo, 30 de março de 2014

Dói amamentar?

Olá mamães e futuras mamães,

Acho que todas nós temos receio de sentir dor durante a amamentação pois já vimos ou ouvimos muitas mães reclamando de dor e/ou bicos rachados. Sim, amamentar dói, mas se feito de forma correta é possível prevenir.


Lendo livros e sites na internet ainda grávida eu sabia que a principal causa de dor e/ou bicos rachados é a pega incorreta do bebê. Então, até o dia em que a Luli nasceu eu estava tranquila, pois tinha toda a teoria na cabeça: os bebês devem abocanhar não só o bico, mas também toda a auréola (ou seja, abrir bem a boca), e manter os lábios enrolados para fora, como se estivessem fazendo boca de peixinho.





Toda molinha e sonolenta como todo bebê recém-nascido, lá estava ela em meus braços, pronta para sua primeira mamada. Na hora, a emoção e ansiedade por este momento tão esperado tomaram conta de mim. A última coisa que pensei foi na pega correta (mas acho que aquela não era hora mesmo para pensar nisso). Queria ela em mim e só. Resultado, saí toda roxinha.


Na próxima mamada lá estava eu, morrendo de dor e me dando conta de que eu sabia como tinha que ser feita a pega correta mas não tinha a mínima ideia de como fazer! Tinha a teoria, mas nunca tinha nem sequer visto um videozinho no youtube. No dia seguinte chamei a especialista em lactação que estava de plantão no hospital e o problema foi logo resolvido. Aprendi como fazer a Luli pegar corretamente e só fiquei dolorida ainda nos primeiros dias até o machucado do primeiro dia cicatrizar e depois não mais.


Vou deixar aqui algumas dicas que aprendi e que funcionaram comigo:

- Para ajudar o bebê a abocanhar toda a auréola, aperte com sua mão (a mesma do lado que o bebê estiver mamando) a região onde ela termina para que a auréola se torne uma continuação do bico.




- Quando for oferecer o seio, encoste o bico no lábio superior do bebê para estimulá-lo a abrir bem a boca.

- Se o bebê não abrir bem a boca e não pegar corretamente, tire-o do seio e comece de novo até que ele consiga. Para tirá-lo, coloque delicadamente seu dedo na boca dele para quebrar a sucção pois se você puxá-lo irá se machucar.


- No começo o bebê ainda é muito sonolento e molinho, o que vai exigir um pouco de paciência para que ele abra bem a boca. Portanto, é muito importante que você não espere ele chorar de fome para alimentá-lo. Ofereça o seio logo que ele começar a dar os primeiros sinais de fome, ou em tempos regulares, a cada 2 ou 3 horas por exemplo, assim os dois terão calma e tempo suficiente para tentar a pega correta quantas vezes forem necessárias. Será um grande jogo de paciência no começo.


- Esse jogo de paciência logo acaba assim que o bebê começa a ficar mais forte e aprende a abrir bem a boca. Uma dica é esperar que isso aconteça e a amamentação esteja bem estabelecida, geralmente entre 3 e 4 semanas de vida, para oferecer chupeta. A pega da chupeta é completamente diferente da do seio, o que pode confundi-lo. Além disso, o ato de sugar é extremamente cansativo para o recém-nascido, e ir mamar já cansado pela chupeta, pode prejudicar muito a amamentação e o ganho de peso.

- Se o bebê pegar todo o bico e bem a auréola mas não estiver com os lábios de peixinho não precisa retirá-lo. Puxe delicadamente os lábios dele para fora. Com os lábios nessa posição a sucção é mais eficaz, além de facilitar ainda mais a entrada da auréola na boca dele.


- Se ao final da mamada o bico estiver achatado na diagonal, em formato de batom novo, é sinal de que a pega não estava correta favorecendo o aparecimento de machucados.


- Outro sinal de que a pega não está correta é se o bebê faz barulhos parecendo beijinhos estalados enquanto mama. Esse barulho é ar entrando na boca dele, sinal de que ficou uma frestinha entre os lábios dele e o seio e ele está engolindo mais ar.

- Passe um pouquinho do seu próprio leite no bico do seio após as mamadas, se no começo ficar com a sensação de assadura no bico ou machucada. O leite materno tem um alto poder cicatrizante.

De todas essas dicas, acho que a mais importante é não esperar o bebê chorar de fome. Quanto mais agitado ele estiver, mais difícil é para ele pegar o seio e mais ainda para que o pegue de forma correta. Além disso, bebê nervoso deixa a mãe nervosa e nenhum dos dois terão paciência para tentar de novo se necessário. 

Mesmo que seja contra a amamentação baseada no relógio, talvez valha a pena seguir esse conceito pelo menos no começo, ou então fique bem atenta aos primeiros sinais de fome do bebê. Choro é o sinal tardio de fome. Alguns dos primeiros sinais de fome podem ser:


- Mudança de atividade: mexer-se ou acordar

- Movimentos de procura com a cabeça
- Movimentos com a boca de sucção e movimentos com a língua para fora da boca como se estivesse lambendo algo
- Mãozinhas na boca

Dentro destes sinais, o maior equívoco na minha opinião é ver o recém-nascido sugando o nada e com a mão na boca, achar que é apenas reflexo e necessidade de sugar, e oferecer-lhe a chupeta em vez do seio materno. Alguns especialistas acham que é reflexo, mas o consenso maior é de que na verdade, são sinais de fome. E se for reflexo, que ele sugue o peito materno, oras! Por que não? No começo não há leite, apenas colostro, e quanto mais o bebê sugar o peito, maiores são as chances de sucesso na amamentação, pois maior será o estímulo para produção de leite. Além disso, vocês ficam juntinhos e ele tem o aconchego da mamãe.


Outro fator importante é que, na maioria das vezes, os recém-nascidos são muito sonolentos, até para sinalizar que estão com fome. Como o leite maduro (com maior teor de gordura e açúcar) leva alguns dias para descer após o nascimento e o estômago deles é muito pequeno, os recém-nascidos ficam hipoglicêmicos facilmente quando dormem prolongadamente, o que os deixará mais molinhos ainda para pedir para mamar e mais sonolentos, portanto mais hipoglicêmicos, num ciclo vicioso. Sou a favor da amamentação em livre demanda, mas no começo pode ser perigoso! Converse com seu médico sobre isso.


Lembrem-se que uma pega correta é fundamental para o sucesso da amamentação.

Espero ter ajudado!

domingo, 16 de março de 2014

Slingando

Slingar, slingando, slingada. Talvez você já tenha ouvido estes termos aportuguesados mas não tenha visto muitos bebês em slings por ai. Eu sinceramente não me recordo de ver muitos bebês passeando pelas ruas, praias, mercados e shoppings do Brasil, enrolados nesse pano. Talvez não tenha reparado? Não sei. Tem coisa que a gente só repara depois que fica grávida, não é? Só sei que aqui nos EUA, você se depara com um bebê sendo slingado em cada esquina. É literalmente lindo. Cada estampa maravilhosa e panos trabalhados pendurando um bebê todo enrolado, aconchegado e fofinho no colo. Confesso que foi esse o motivo pelo qual eu comprei um sling bem antes da Luli nascer, mas logo percebi os muitos benefícios que ele traz tanto para ela, quanto para mim.

O sling traz os muitos benefícios que o colo proporciona, como já discutidos neste blog (veja aqui), de uma maneira muito mais aconchegante para o bebê e fácil para a mãe. O bebê sente-se mais protegido, pois além de ficar perto do corpo da mãe sentindo seu cheiro e calor, coração e respiração, ele fica apertadinho e contido, como no útero. Enquanto isso, a mãe tem suas mãos livres para afazeres domésticos, compras, trabalho, ler um livro, etc.

Há muitos outros benefícios como:

- Como todo tipo de contato físico com o bebê, favorece o vínculo.
- Além dos pais terem mãos livres, ajuda a descansar os braços pois o peso do bebê é distribuído melhor pelo corpo dos pais.
- Simula ambiente uterino para os recém-nascidos pois, além de aconchegante, dá o embalo que ele recebia enquanto estava na barriga.
- Ajuda na cólica e refluxo pois o bebê fica com a barriga quentinha em contato com o corpo dos pais e pela posição mais vertical, dificulta o refluxo.
- Os movimentos de abaixar, levantar e andar, estimulam ajustes corporais do bebê, ajudando o desenvolvimento motor. Bebês que são slingados se desenvolvem melhor.
- Há estudos que mostram redução de até 53% do choro durante o dia e ganho mais rápido de peso pelo bebê que é carregado em um sling.
- Reduz agitação e facilita o pegar no sono. 
- Bebês slingados dormem melhor.
- Durante um passeio ou mesmo em casa, permite que o bebê tenha uma visão vertical e na mesma altura da mãe, compartilhando e entendendo melhor os estímulos recebidos. Em um carrinho, o bebê tem a recepção sensorial e visual prejudicadas, pois quando sentado, ele permanece na altura do joelho de um adulto e quando deitado, passa a olhar apenas o céu. A visão periférica também é prejudicada ainda pela cobertura do pano do carrinho.
- Permite amamentação em publico discreta e até mesmo caminhando pela rua.
- Trazendo tantos benefícios ao bebê, o sling deixa os pais mais felizes, calmos e confiantes também.
- São lindos e baratos.

Aqui em casa usamos muito o sling. Todos os dias. Para trabalhar, arrumar a casa, cantar para ela, acalmá-la ou quando queremos simplesmente ela bem pertinho da gente. Quando vamos passear, a preferência é que ela sempre saia no nosso colo também. Ela adora e é o maior sucesso. 

Para quem quiser mais informações sobre tipos, modelos e como usar, recomendo este site:

Desde 2004, todo mês ocorre a Slingada. Um grupo de orientadores reúne mães e ensinam como usar um sling (não é nada fácil no começo), de graça.

Lembre-se que dar colo não é mimar um bebê e nem criar um criança dependente. Você mima uma criança privando-a de frustrações e desafios, dando a ela tudo o que ela pede e livrando-a de suas responsabilidades e da culpa de seus erros. Dar colo é dar amor, segurança. É construir uma base emocional sólida hoje para uma criança mais confiante no futuro. É dar a segurança que ela precisa para poder se desprender.


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quinta-feira, 6 de março de 2014

Violência obstétrica antes, durante e após o nascimento

Infelizmente muitas mulheres no Brasil sofrem de violência, tanto física quanto moral, no momento mais sublime de suas vidas. Aquele momento que deveria ser de acolhimento e respeito para que nós mulheres possamos entrar no mundo da maternidade com o mais puro sentimento de amor pelo nossos filhos e nada mais. Nenhum outro sentimento deve atrapalhar o amor, inundado pela aquela tal de ocitocina, que a mãe é capaz de dar para o recém-chegado.

Porém, infelizmente não é essa a experiência que muitas mulheres no Brasil vêm relatando. A realidade é muito chocante. Uma em cada quatro mulheres sofre violência durante o trabalho de parto (normal e cirúrgico). Braços e pernas amarradas, piadinhas inoportunas, procedimentos sem consentimento, cesáreas desnecessárias, proibição de acompanhantes, palavras hostis e outras atitudes fazem parte do cenário. São humilhadas e desrespeitadas. Sentem medo, desamparo e solidão. Assim elas recebem o mais lindo fruto de suas vidas em seus braços, sem dignidade e com uma tristeza profunda que as marcarão para sempre.

Dentro dessa gama de atos de violência contra a parturiente, conhecida mundialmente como violência obstétrica, faz parte a indicação desnecessária de cesáreas, ou a desneCesárea. Lá no finzinho da gestação, depois de passar meses dizendo ser a favor de parto normal, numa fase de muita ansiedade, muitas desculpas são criadas pela equipe para indicar uma cesárea. Bem lá no finzinho, quando já se criou um vínculo médico/paciente e não dá mais tempo de procurar outro profissional. 

Pressão alta (sem sinais de pré-eclâmpsia), bebê que não encaixou (o bebê só encaixa durante o trabalho de parto), bebê que passou do ponto (com menos de 41 semanas e 6 dias de gestação), cordão umbilical no pescoço (o cordão pulsa por até alguns minutos depois do nascimento, portanto o bebê respira pelo umbigo durante todo o nascimento, não pela traqueia), pouco líquido amniótico (quando no final da gestação), e por ai vai. (Veja a lista completa aqui).

Sou adepta sim de parto normal, mas não sou contra cesárea. A cirurgia é muito bem vinda quando bem indicada, pois surgiu para salvar e salva muitas vidas. Eu mesma e minha irmã nascemos a partir de cesarianas. Ela nasceu de uma neCesárea pois ficou sentada até o final, e eu nasci de uma desnecesárea. Portanto, sei muito bem que uma mãe não ama mais ou menos seu filho pelo modo que ele veio ao mundo (parece estranho, mas já presenciei muito esse tipo de discussão).

Também sou totalmente a favor do direito de escolha, que é de todas nós e pertence somente a nós. O meu objetivo aqui não é julgar ninguém por escolha e nem tocar aquelas que quiseram mas não puderam ter seu parto de forma natural, mas sim ajudar a esclarecer futuras mães e apontar para um lado da cesárea que também considero como violência obstétrica. 

Violência obstétrica começa antes da sala de parto.

Na minha opinião, além da desnecesárea realizada naquelas que desejavam um parto normal, a cesárea eletiva mesmo quando realizada a pedido da mulher, na maioria dos casos (não em todos), no fundo, não é uma escolha da mulher e sim do médico.

Medo infundado do parto e criado pelo próprio médico. Informação não fornecida durante uma consulta. Sim, a violência contra a gestante começa muito antes. Começa nos consultórios. No pré-natal. Assim muitas mulheres fazem suas escolhas: baseadas em mitos, desinformadas e sem consciência de todos os efeitos e consequências. Assim, sem nem sequer terem tido o direito de escolha.

Hoje há uma inversão de valores criada também pela própria sociedade. Aquele noticiário que mostrou um bebê que morreu durante o parto no SUS e que nunca mostrará, por motivos óbvios, a realidade dos hospitais de ponta, faz com que corajosa seja aquela que decide por ter um parto que como o próprio nome já diz, é normal.

Já tive o desprazer de ler uma entrevista com um médico que dizia que a cesárea é mais segura que parto normal, cuja explicação dada foi que o risco de complicações de um parto normal feito por uma equipe despreparada é maior do que uma cesárea. Claro, qualquer procedimento feito por um açougueiro não deve ser muito seguro mesmo. Além de que provavelmente esse médico não deve saber conduzir um parto normal, também não sabe fazer comparações (Fonte: Só podia ser na revista Veja).

Felizmente a Organização Mundial da Saúde sabe e conduziu um grande estudo observacional em 24 países diferentes, incluindo o Brasil, o World Health Organization Global Survey on Maternal and Perinatal Health (WHOGS). Nesse estudo, eles observaram mais de 286 mil nascimentos no período entre 2004 e 2008, e chegaram às seguintes conclusões:

- A cesariana sem indicação mostrou-se fortemente associada com maiores taxas de mortalidade materna, admissão em UTI, hemotransfusão, histerectomia, infecções, ruptura uterina futura, além das complicações presentes em qualquer tipo de cirurgia abdominal. Nesse trabalho ficou indicado que a taxa de cesariana segura é de 10 a 15%, ou seja, essa é a probabilidade de mulheres terem uma indicação necessária de cesariana em qualquer lugar do mundo. Abaixo dessa expectativa há aumento de complicações e morte por falta de tecnologia e acima, por excesso de tecnologia.


- Para o bebê, o resultado encontrado foi ainda pior. Aumento de complicações perinatal e neonatal foram associadas com cesariana, independentemente da indicação. Ou seja, tanto em cesáreas necessárias quanto desnecessárias. Dentre essas complicações estão: morte perinatal, fetal e neonatal precoce e hospitalização em UTI.


A maioria das complicações perinatais e neonatais estão relacionadas com o risco de laceração do bebê pelo próprio bisturi, prematuridade e complicações respiratórias. 

A definição de que uma gravidez normal vai de 37 a 42 semanas de gestação não significa que tanto faz para o bebê nascer entre esse período. Significa que, os bebês podem ficar prontos a qualquer momento dentro desse período. A minha filha ficou com 41 semanas e o seu filho(a) pode ficar com 38 semanas. A grande questão da cesariana é retirá-los da barriga antes do tempo, antes de estarem prontos, e para um bebê em desenvolvimento, uma semana ou até mesmo um dia faz muita diferença. Para cada dia de prematuridade, há aumento proporcional do risco de complicações ao nascer, principalmente as cárdio-respiratórias, e nada nem ninguém é capaz de prever exatamente a data de nascimento de um bebê.

Se eu tivesse agendado uma cesariana para minha filha com 40 ou 38 semanas de gestação, ela poderia ter nascido com uma ou até três semanas de prematuridade. No meu círculo social, infelizmente duas amigas queridas passaram por uma cesariana desnecessária e tiveram suas filhas internadas numa UTI, intubadas e com risco de morte, por pelo menos um mês. O motivo da internação não foi por doença pré existente ou genética, mas sim por decorrência da cirurgia. E eu não me lembro de ter ouvido sobre os casos delas e de milhares de outras na televisão.

Há também o processo mecânico durante o parto normal que influencia positivamente. Durante o parto natural o bebê é comprimido pelo canal vaginal e o liquido aminótico presente em seu pulmão é expulso. Durante uma cesárea isso não acontece portanto há maior risco de desconforto respiratório ao nascer, risco de infecções pulmonares nos primeiros dias de vida e efeitos a longo prazo como asma e alergias respiratórias. 

Além disso, há diversas outras consequências e uma delas é no aleitamento materno. Dentre muitos estudos sobre amamentação e cesarianas, um grande trabalho publicado recentemente no American Journal of Clinical Nutrition que envolveu mais de 500 mil participantes em 33 países encontrou que cesariana está fortemente correlacionada com dificuldade e problemas no aleitamento materno e menor chance de amamentação até o sexto mês de vida do bebê.

Portanto, parto normal é mais seguro e saudável e a recuperação é, sem dúvida, muito mais rápida e indolor. Você fica muito mais disposta e capaz de cuidar de quem agora só depende de você. Não há cicatrizes e seu corpo retorna à forma que era antes mais rapidamente. E se o medo for da dor, não podemos esquecer que ela nem sempre acontece, e que também existe a famosa anestesia epidural.

Nessa discussão sobre qual método é mais benéfico, o que mais me choca, mais até que as estatísticas de morbimortalidade, é a violenta exclusão na qual a mãe é submetida. Veja nesta foto em uma sala cirurgica, uma mãe com seus braços amarrados e impedida de ver e participar do processo. A distância que uma cesariana causa entre a mãe e o nascimento é explicitamente mostrada nessa foto na qual a mulher olha para trás enquanto nasce o seu prórpio filho...



O recém-nascido também é vitima de violência obstétrica 

Ao nascer por uma cesariana, o bebê precisa ficar em uma incubadora longe da mãe. Enquanto a mãe tem sua cirurgia finalizada, o bebê fica em observação pelo risco de apresentar desconforto respiratório e portanto, como consequência e não como necessidade primária, precisa ser aquecido artificialmente. Sabe-se que, ao nascer de forma natural, não há esse risco e o corpo da própria mãe pode aquecê-lo.

Com uma cesárea eletiva, o bebê não recebe informações psicofísicas que irá nascer, tornando o nascimento muito mais traumático. Além disso, diferentemente de um ambiente cirúrgico, durante o parto normal, o bebê chega em um ambiente tranquilo, aconchegante, com pouca luz e direto para o importante contato com a mãe. 


É um direito do bebê ficar com a mãe ao nascer. Desde 1986 já é recomendado pela OMS que o bebê deve ficar por pelo menos uma hora em contato físico com a mãe, pele-a-pele e não enrolado em um pano, logo após o nascimento. Há diversos benefícios fisiológicos comprovados cientificamente como por exemplo, redução do stress e do choro, estabilização da glicemia do bebê e maiores chances de sucesso da amamentação. 

Se não há indicação e beneficio real para se fazer uma cesariana, por que impedir esse desejo e direito de todo recém-nascido? Por que submetê-lo à violência da separação?

Assistam o vídeo, dura apenas um minuto.



O dia do parto não é um dia como outro qualquer. Não é como ir a um jantar ou a um compromisso marcado. É o seu filho que está chegando e você não precisa ser excluída do processo por detrás de um pano. É o seu filho que está chegando ao mundo e você pode recebê-lo em seus braços.




Nestes grupos você pode encontrar informações e apoio para um parto normal e humanizado:

segunda-feira, 3 de março de 2014

Lista de indicações reais e fictícias de cesariana

Navegando pelo mundo dos blogs encontrei esta lista com as indicações reais e fictícias de cesariana, feita para ser divulgada. A médica Dra. Melania Amorim autora da lista a fez em 2005 e a mantém atualizada constantemente.

http://estudamelania.blogspot.com/2012/08/indicacoes-reais-e-ficticias-de.html

Ela esclarece também porque cordão umbilical enrolado no pescoço (presente em até 40% dos nascimentos) não é indicação de cesariana. Nesse mesmo link você também pode assistir a um vídeo de parto normal no qual o bebê nasceu com circular de cordão no pescoço. 


Compartilho também em meu blog para que vocês, futuras mamães que desejam um parto normal, fiquem atentas!



terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Amamentar-se de amor. Eu ou ela?

Livros sobre gravidez, sobre bebês, cursos pré natal e as opiniões sempre apontam para a importância da amamentação para o bebê e para a mãe. Leite materno protege, é rico em nutrientes, emagrece, ajuda a prevenir câncer de mama, etc e etc. Ora, sendo a opção mais saudável para minha filha, nunca nem sequer passou pela minha cabeça outra alternativa. Queria dar a ela o melhor alimento. Também nunca tinha passado pela minha cabeça que, enquanto eu dava a ela o meu leite eu estava dando algo a mais.

Os bebês não nascem sabendo sentar, não nascem sabendo falar, não nascem sabendo andar, não nascem sabendo mandar beijinhos e nem bater palminhas. A única coisa que eles nascem sabendo fazer, além de chorar, é sugar. Nem chupeta e nem mamadeira. Apenas o peito materno. É instintivo. É o que eles querem. Leite da mamãe. E se eles tem o que querem sentem-se seguros, protegidos e amados.

Aguardei ansiosamente durante toda a minha gestação a nossa primeira mamada juntas. O que eu mais desejava profundamente era ser capaz de poder amamentá-la, de dar o melhor para ela, de fazê-la crescer saudável através de mim mesma, como sempre foi, desde que estava na minha barriga.

Foi ainda na sala de parto, depois de apenas 20 minutos dela ter nascido, que senti pela primeira vez que amentar vai além de oferecer leite. Não estava dando a ela apenas alimento. Estava dando o que ela precisava e queria: o meu leite. Porque ele vai junto com o sentimento de que eu estou aqui e cuidando dela. Cuidando porque amo.

Aquele momento mágico durou um pouco mais de uma hora. Ela foi conhecendo meu cheiro, minha voz, meu toque, eu ia a conhecendo devagar. Examinei, sua orelhinha, seu cabelo, seus dedinhos, olhinhos, mas o mais importante é que eu não a apressei. Deixei ela lá para que percebesse que eu estaria sempre disponível para ela, sempre que precisasse, por ela.

Amamentar não é trivial, envolve tempo, dedicação, paciência, aprendizado, dor (tive muita no começo, mas passa) e muitas madrugadas. E até hoje, durante esses quase quatro meses, nem tudo foi tão fácil.

Depois de mais ou menos três semanas de amamentação com sucesso, a Luli começou a ficar irritada no final de cada mamada. Nossa rotina era: eu oferecia um peito quando ela queria, trocava fralda e depois oferecia o outro, e foi depois da troca de fralda que ela começou a brigar comigo. Pegava o peito e se jogava para trás, pegava e chorava, pegava e se debatia. Não entendia esse comportamento entre pegar e soltar, querer e não querer. E ai começou aquele sentimento de frustração.

Marcamos uma hora com uma consultora de lactação. Após muita conversa, fomos ver na prática o que estava acontecendo. Conforme a Luli ia mamando, íamos parando a colocando na balança. Bingo! Santa balança ultra sensível que tem naquele consultório. Em alguns minutos a Luli já havia mamado 140 ml de leite e de apenas um lado. Para quem não sabe (eu também não sabia), o normal para a idade dela na época é de 90ml a 120ml. Santa balança e santa produção de leite a minha.

Mas o mais importante foi o que a consultora nos orientou a partir de então. "Se depois que ela mamar um lado e você trocar a fralda, ela ainda continuar pedindo o peito, dê o mesmo lado. Ele já não estará tão cheio de leite, então o fluxo será menor. Ela provavelmente não quer mais leite, por isso se irrita. Só quer ficar juntinho de você".

Voltei para casa renovada e assim segui: a cada mamada um peito só (por isso que essas receitinhas prontas de livro, 20 minutos de cada lado, não funcionam.). Não sei o que me deixava mais feliz, amamentação tranquila restabelecida, saber que ela queria ficar juntinho de mim ou o que passei a receber dela em troca. Ah aqueles sorrisinhos gostosos...

Depois da troca de fralda passei a dar o mesmo peito e enquanto ela ia sugando, sonolenta e do jeitinho que ela queria, parava por vezes para dar aquele sorrisinho. Aquele que faz o olhinho dela ficar fininho, fininho. Aquele ainda com uma pocinha de leite na boca e que agora ia escorrendo pela sua bochecha. Esse é o amor que recebo de volta dela. Que recebo como uma forma que ela tem de dizer obrigada.

E assim fomos até ela completar dois meses e meio. De repente, de um dia para o outro, ela passou a mamar menos, algo em torno de três a quatro vezes em 24 horas. Fomos até a médica só para constatar algo que já sabíamos. Não, ela não estava doente. Nem sinal de uma virose qualquer. Ela simplesmente não tinha fome. Mesmo oferendo para ela depois de cinco horas sem comer, ela se afastava e resmungava. Nada fazia ela mamar se não quisesse, e se não tem bebê mamando não tem corpo produzindo leite.

Ligamos para nossa consultora de lactação que me orientou a tirar leite pela bomba de hora em hora, para estimular o máximo que eu puder, pois uma vez que o leite seca, é muito difícil voltar. E lá fui eu usar a bomba pela primeira vez. Já havia mais de 4 horas que a Luli tinha mamado e eu só consegui tirar 15 ml de leite dos dois lados juntos. Fiquei olhando aquele potinho vazio por alguns minutos sem ainda acreditar. E foi assim por alguns dias consecutivos. Eu não saia do sofá e a bomba não saía de mim. Para cada gota de leite, uma lágrima e um abraço do meu marido. Cada míseros 15 ou 20 ml que eu conseguia tirar, um sentimento de impotência e pavor começaram a tomar conta de mim, pensando que aquela semana poderia ser a última em que eu iria amamentar minha filha.

Até hoje ninguém sabe o que aconteceu, nem as médicas e nem nós. Felizmente depois de muitas bombeadas e de beber muitos litros de água, minha produção de leite começou a subir devagar e, da mesma maneira como a Luisa tinha parado de mamar, de um dia para outro ela voltou a querer mamar regularmente.

Valeu cada minuto de esforço. Valeu o apoio do meu marido que ficou do meu lado e me ajudou o tempo todo. Valeu a sabedoria e consciência da minha médica que nos deu a chance e nunca me aconselhou a dar fórmula durante os dias em que ela se alimentava mal. Naquela semana a Luisa não ganhou peso, mas enquanto ela mantinha sinais de que estava hidratada, não era necessária nenhuma intervenção.

E assim vamos até hoje, com amamentação exclusiva no peito, e à hora que ela quer. A única coisa que mudou é a maneira como ela mama. Na última visita à consultora de lactação, constatamos que ela mama 120ml de um único lado em apenas quatro minutos. Mais uma vez a receitinha de 20 minutos em cada lado não funcionou com a gente. Ela mama tudo bem rapidinho, as vezes em três, as vezes em cinco minutos. Porém dessa vez, quando está satisfeita, se afasta para olhar pra mim e dar suas gargalhadinhas e gritinhos. O seu obrigada.

E assim eu quero ir. Se nada mudar, quero ir até quando meu corpo conseguir. Vou fazer o possível e o impossível para conseguir até quando ela quiser. Não me importarei com pré-conceitos de que criança grande amamentando é feio, é dependente. Não, não é. Inclusive esse é um assunto bem abrangente e delicado que vou discutir em um próximo post. E o que a Organização Mundial da Saúde recomenda é amamentação até os 2 anos de idade e por no mínimo 6 meses. No mínimo e não até 6 meses.

Se meu corpo não conseguir ir até onde ela quiser, tudo bem. Amamentar não é a única forma de dar amor e muito menos vou deixar de amá-la, mas vou ter que aprender a lidar com isso. Vou continuar admirando aquelas que conseguem e também aquelas que nunca puderam amamentar por qualquer que tenha sido o motivo, físico ou social. E dou uma dica para aquelas que também passarem por dificuldades. Consultem sim uma especialista, pois isso não é modinha da modernidade. A amamentação não é trivial e nenhum livro é capaz de dizer o quanto e como é a melhor maneira de amamentar seu filho. Não desistam. Vale cada esforço, pois cada mamada é um filho crescendo, uma troca de afeto e um vínculo fortalecido.

Em cada mamada, um momento tão nosso. Ela se amamenta de leite e nós de amor. Eu e ela.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Sobre bancos de cordão umbilical

Numa das muitas consultas pré-natal que tivemos, eu e meu marido, entusiasmados com a ideia, perguntamos ao meu médico daqui sobre bancos de cordão umbilical. A princípio estávamos entusiasmados pois acreditávamos que, caso a Luisa ou nós precisássemos, ele poderia ser imprescindível no futuro. Além disso, tínhamos a oportunidade de coletar aqui nos EUA, onde os valores dos bancos privados são muito mais acessíveis do que no Brasil. Para a nossa surpresa, o médico imediatamente nos respondeu: "Cuidado com a estratégia de marketing dos bancos privados, pois eles enfatizam um sentimento de culpa nos pais em não armazenar. Hoje quem não armazena o cordão umbilical não se sente um bom pai ou uma boa mãe, principalmente porque se trata da saúde dos próprios filhos".

Já tínhamos entrado previamente em contato com um banco privado daqui que nos explicou como funciona o processo. A equipe médica coleta o cordão umbilical e o banco vai buscar. Ao chegar no laboratório eles fazem uma análise e, se a amostra for viável, eles debitam automaticamente no cartão, se for inviável, eles descartam.

Meu médico não se posicionou nem contra e nem a favor do armazenamento, mas nos deu um bom material para ler para decidirmos por nós mesmos. Nunca tinha lido nada a respeito mas tinha em mente como algo tão promissor, por isso foi difícil a decisão, mas após pesquisarmos bastante, acabamos desistindo da ideia. 

Coloco aqui alguns pontos importantes sobre o texto que ele nos entregou e o que pesquisamos:

- De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para a amostra do cordão ser viável, ela deve conter, no mínimo, 500 milhões de células-tronco e não estar contaminada. Assim, os bancos públicos descartam 60% das amostram que chegam, enquanto os privados descartam apenas 2%.

- Não é sabido ainda por quanto tempo um cordão umbilical pode ser congelado sem perder suas propriedades. Além disso, a análise da amostra congelada também pode danificá-la, portanto só é possível saber se é viável se vier a ser utilizada.

- A chance do bebê precisar das células tronco do seu próprio cordão é muito baixa. Aproximadamente 1 a cada 2.700. (Chance de precisar não significa necessariamente que irá se beneficiar dela, pois sua amostra pode não ser adequada ou ser danificada durante a análise)

- De acordo com o Instituto Português do Sangue e Transplantação, no maior banco de cordão umbilical norte-americano, o Cord Blood Registry, de 1993 até ao final de 2012, apenas 134 amostram foram liberadas para serem usadas no próprio doador, 66 para utilização em irmãos e apenas uma para a mãe.

- No Brasil, até 2012, das 45. 600 amostras armazenadas em bancos privados, apenas oito foram liberadas, sendo cinco para serem utilizadas em parentes (após autorização da Anvisa) e apenas três para o próprio doador.

- Ao contrário do que os bancos anunciam, o sangue do cordão não pode ser utilizado para tratar leucemia do próprio doador. Além do risco de desenvolver leucemia ser baixo, caso a criança venha a desenvolver, o sangue de seu cordão terá a mesma mutação genética, portanto ele precisará do sangue do cordão de outra pessoa para o tratamento. Isso vale também para anemia grave e outras doenças genéticas tratadas com células tronco.

- A Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia se posiciona contra a existência de bancos privados. De acordo com o presidente da associação, Carmino Souza. "Isso é apenas um negócio, que não tem impacto na saúde pública ou individual. As pessoas são ludibriadas num momento de muita alegria para acreditar que isso pode servir num caso de leucemia ou qualquer outro problema de saúde".

- Nesses últimos quinze anos, pouco se avançou nas pesquisas com células tronco de cordão umbilical e acredito que no futuro teremos muito mais opções de tratamento. Pesquisas atuais já estão encontrando novos caminhos para tratar doenças envolvendo células tronco originárias de outros tecidos, como por exemplo, do tecido adiposo, pele, fígado, pâncreas e polpa dentária.

- Como a chance de uma criança precisar de suas próprias células tronco são extremamente baixas (de 0,0005% a 0,04%) pois grande parte das doenças tratadas com células tronco tem origem genética, a maioria dos transplantes que utilizaram células tronco foram feitos com cordões de outro doador, a partir de bancos públicos. No mundo, mais de 12.800 paciente já foram tratados a partir de bancos públicos. 

- Para se obter sucesso com o transplante de células tronco, geralmente é necessária a utilização de mais de uma amostra compatível, ou seja mais de um cordão umbilical, pois a quantidade de células que se consegue armazenar de uma amostra é pequena, suficiente apenas para tratar uma pessoa de até 50 kilos. Portanto, caso necessite de terapia com células tronco, você poderá usar quantas amostras forem necessárias dos bancos públicos, porém apenas a sua única de bancos privados.

- Na França, Itália e Bélgica já é proibida a existência de bancos privados.


- Não possuir seu próprio cordão umbilical armazenado em banco privado não o exclui da utilização da sua própria amostra ou da amostra de outros doadores provenientes de bancos públicos. É o que acontece com os bancos de sangue. Você não precisa ter seu sangue congelado caso venha a precisar de transfusão sanguínea no futuro.


Com isso, eu e meu marido chegamos a conclusão que a relação custo/benefício em armazenar o sangue do nosso cordão em um banco privado seria muito desfavorável, então optamos pelo não. Infelizmente o serviço público daqui não faz coleta no hospital em que a Luisa nasceu, então também não conseguimos doar para o banco público.


Hoje tornou-se claro para nós a importância do crescimento dos bancos públicos e não dos privados, já que há chance maior de precisarmos, se precisarmos, de uma amostra de outro doador ou de mais de uma amostra de sangue de cordão umbilical.

No Brasil é a rede BrasilCord quem armazena os cordões umbilicais doados voluntariamente pela família do recém-nascido. Os custos da coleta e do armazenamento são totalmente cobertos pelo SUS. Para saber se a rede BrasilCord tem convênio com sua maternidade de interesse e mais informações, acesse:

www.inca.gov.br 
www.cancer.org.br 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Dica para dor nas pernas

Olá gravidinhas de plantão,

Vocês já devem ter lido sobre ou ter sentido as famosas cãibras e dores nas pernas que ocorrem durante a gestação.

Eu nunca tive cãibras mas, para s sorte do meu marido que era escalado toda noite para uma boa massagem, a partir do sétimo mês de gravidez eu passei a sentir dores, uma sensação de peso e inquietação nas pernas, principalmente a noite. 

Passei algumas boas noites tendo dificuldade para dormir por causa disso e, na busca por algo que pudesse me ajudar, descobri o creme Instante Confort Legs da linha Mustela. (Conforto Instantâneo Para Pernas). Li algumas avaliações sobre ele na Amazon. Algumas mulheres não relataram melhora, mas a maioria dizia que era muito bom. Ele não é muito baratinho, mas resolvi tentar e foi milagroso para nós. Super recomendo.