quarta-feira, 16 de abril de 2014

Porque esperar a gestação completar pelo menos de 40 a 41 semanas?

Mesmo com toda a tecnologia disponível para o pré-natal, ainda não é possível determinar exatamente a data prevista do nascimento de um bebê. Por isso, determinou-se a média do período considerado termo, que é entre 38 e 42 semanas de gestação, como data provável do parto. Assim, a data provável do nascimento é o dia em que a gestante completa 40 semanas de gestação.

Durante muito tempo acreditou-se que as condições de saúde de um recém-nascido seriam as mesmas em qualquer momento dentro desse período, por isso muitas cesáreas eletivas eram agendadas com 38 ou até mesmo 37 semanas de gestação. Porém, novos estudos tem demostrado que cada semana de gestação é fundamental para o desenvolvimento completo do bebê.

Um estudo publicado em maio de 2013 na revista Pediatrics sugere que nascer antes da hora, mesmo que sutilmente, pode afetar o desenvolvimento cerebral de uma criança.

Os pesquisadores avaliaram 1.562 crianças e detectaram que, para cada semana adicional no útero, elas apresentaram 1,4 pontos a mais em testes psicomotores e 0,8 pontos a mais no desenvolvimento mental. Para elucidar essa diferença, os autores compararam os resultados com exposição ao chumbo. O atraso no desenvolvimento encontrado foi tanto quanto o observado quando há exposição a esse metal em baixo nível.

Eles concluiram que crianças nascidas após 39 semanas de gestação levam vantagens, e portanto, se não houver indicação real para interromper uma gestação antes deste período, o ideal é esperar entre 40 e 41 semanas para realizar uma indução ou cesárea eletiva, já que cada semana de gestação é fundamental.

O tempo de gestação definido como termo é em muitos lugares ainda considerado entre 37 e 42 semanas. Porém, a American College of Obstetricians and Gynecologists baseando-se neste estudo (e em outros que relatam menores problemas pulmonares, de audição e de aprendizagem com maior tempo de gestação) redefiniu a gestação a termo para entre 39 e 41 semanas.

Além de alterações no desenvolvimento, hoje sabe-se que interromper a gestação com 40 semanas também está associado com aumento da morbidade neonatal e complicações ao nascer como desconforto respiratório, icterícia e outras.

Mesmo com esses e outros benefícios para se esperar uma gestação completa, (pelo menos até 41 semanas), muitos obstetras brasileiros ainda consideram que com 40 semanas, deve-se interromper a gestação induzindo ou por meio de cesárea. Entretanto, sabe-se que os riscos até 41 semanas são semelhantes e passam a ter alguma modificação somente a partir desta semana. Por exemplo, o risco de morte neonatal em uma gestação de baixo risco até 41 semanas é de 0,1%. Somente a partir de 41 semanas esse risco aumenta discretamente, para 0,3%. Por isso, nesta nova classificação, determinou-se a nomenclatura "termo tardio" para gestação entre 41 e 42 semanas, e apenas após 42 semanas o recém-nascido é considerado pós-termo.

Referências:

sábado, 5 de abril de 2014

Em luto pelo caso Torres-RS - Versão 2

"Não era por vaidade que eu queria o parto natural, era uma questão de saúde mesmo. Era o melhor para mim", "Era para eu ter parado de ter filhos, mas errei com os remédios. Lembrei do médico falando que não era indicada para mim uma terceira cesárea. Ele foi o obstetra da nossa segunda filha", Adelir Carmen.



Aquele dia ficará em minha memória e na do meu marido para todo o sempre. O dia em que entrei em trabalho de parto.

Aquele dia foi inesquecível porque eu me conectava com meu próprio corpo de uma maneira única. Porque vivemos momentos mágicos em casa enquanto aguardávamos o parto evoluir. Passei horas com meu marido, apoiada por ele, recebendo massagem. Abraçados, íamos contando cada contração, sentindo ela se mexer. Assistimos também um filminho light e decidimos juntos a hora de ir para o hospital. 

Além de todo o romantismo, a gente ainda lavou a pequena louça do lanchinho da madrugada e molhamos as plantas. Antes de sairmos de casa, olhei para o berço dela e pensei que finalmente aquela seria a última vez que o veria vazio. Apagamos as luzes e saímos.

Fomos com muita ansiedade pela vontade de ter nossa filha nos braços. Fui sentindo meu corpo trabalhando para trazê-la ao mundo e me dizendo que agora eu estava preparada para me tornar mãe. Isso foi para mim, Patrícia, alcançar e viver a plenitude de ser mulher.

Eu não consigo nem sequer imaginar mais a minha vida sem essa página. Não consigo imaginar não poder contar essa história para minha filha. Não consigo imaginar como funcionaria minha mente daqui pra frente se eu tivesse sido escoltada por policiais armados e juiz como uma criminosa no momento mais sublime da minha vida.

Eu me ponho no lugar de Adelir e choro por dentro.

Passam os dias, a gente pensa e repensa e resolvi escrever de novo sobre o caso da Adelir. O motivo em voltar a esse assunto é que, naquele primeiro post eu ainda estava exaltada e talvez eu tenha me equivocado em focar tanto no ponto dos riscos que aquela gestante poderia ou não estar sofrendo. O que parecia óbvio para mim, tanto que coloquei em apenas duas linhas, não parece óbvio para outros: princípios constitucionais de liberdade.

A questão toda não envolve riscos, envolve direitos e preconceitos. (pois já está bem evidenciado que aquela gestante, com duas cesáreas prévias e aquele bebê sentado, não teriam riscos significativamente maiores pelo parto normal comparado com cesárea, muito menos estavam em risco iminente de morte).

Voltando à minha história... com 41 semanas de gestação, esperando para um parto normal, cheguei a discutir com meu médico opções para intervirmos, pois estávamos perto do final do que ainda é considerado termo. Indução ou cesárea foram as opções que ele me deu. Já sabia que iria querer cesárea e quando coloquei isso para ele, na hora (como sempre), ele me encheu de estatísticas e artigos que provavam que induzir traria menores riscos para mim e para minha bebê. O que eu respondi? Cesárea, vou querer cesárea. 

Hoje eu me pergunto porque essa seria minha decisão? Eu não sei. Acho que eu preferiria passar pelos riscos (mesmo que maiores) que a cesárea traria do que os que a indução (mesmo que menores) traria, que são completamente diferentes. Talvez porque os números por si só não estavam sendo capazes de vencer meus medos e preconceitos. Medos e preconceitos baseados nos mitos que a própria população cria contando seus casos individuais, que a industria farmacêutica cria pelos seus interesses financeiros e que a equipe da saúde cria pelos seus interesses pessoais.


E é nisso que quero chegar: preconceitos. A banalização da cesárea no Brasil é tamanha que ninguém acredita mais que uma mulher é capaz de parir naturalmente e que o parto normal é seguro. É tamanha que ninguém mais, nem os próprios médicos, acredita nos riscos potenciais que a cesariana traz. E a partir daí, cesariana no Brasil virou solução para todos os casos; ela de fato soluciona alguns, mas traz outros riscos tão sérios quantos ou mais. A partir daí criou-se o preconceito. Parto normal virou coisa de "bicho", parto sem anestesia virou coisa de "índio" e cesariana eletiva virou coisa de "menos mãe".


Só que você não querer para si próprio parto normal e/ou não acreditar que é possível, não te dá o direito de julgar, baseado nos seus preconceitos, a decisão da Adelir e muito menos intervir de maneira arbitrária

Assim como os riscos em fazer uma indução eram menores do que a cesariana no meu caso, eu ainda tinha a opção. A escolha seria minha. Liberdade. Como no caso da Adelir, no qual os riscos para um parto normal eram infimamente maiores caso ela optasse por uma cesárea, ela deveria ter tido o direito de decidir. Porém, a condução do seu caso feriu os princípios éticos constitucionais de liberdade e da profissão médica:

Código de ética médica:

   
Capítulo IV: Direitos humanos: 
       Art. 22. Deixar de obter consentimento do paciente ou de seu representante legal após esclarecê-lo sobre o procedimento a ser realizado, salvo em caso de risco iminente de morte.
Capítulo V: Relação com pacientes e familiares:
       Art.31. Desrespeitar o direito do paciente ou de seu representante legal de decidir livremente sobre a execução de práticas diagnósticas ou terapêuticas, salvo em caso de iminente risco de morte.

Além disso, sabemos que o caso Adelir era especial. Envolvia uma situação emocional delicada: era uma mulher com um trauma de duas cesarianas previas indesejadas. Envolvia um caso clínico difícil no qual qualquer médico teria todo o direito de recusar a atender e poderiam, por exemplo, chamar uma equipe médica especializada em parto normal para bebê pélvico. Poderiam até mesmo acionar a equipe da psicologia já que acreditavam que realmente a gestante estava se submetendo a sérios riscos. Poderiam muita coisa, menos chamarem a polícia. Não poderiam sobrepôr suas opiniões pessoais ao direito da paciente, garantido por lei.

As pessoas que aprovam o ocorrido questionam: e se algo acontecesse com a mãe e o bebê caso fizessem parto natural? Eu então pergunto: e se tivesse acontecido alguma coisa com eles durante a cesárea? Quem seriam os responsáveis? Quem seriam os culpados? Ninguém. Não é o caso de procurarmos culpados. Nenhum médico e nenhum paciente é culpado pelas milhares de complicações e mortes maternas e neonatais que ocorrem no Brasil tanto em partos normais como em partos cesáreas, tanto em caso simples quanto em casos complicados. Porque nenhuma gestação é isenta de riscos. 

Assim, o caso de Adelir passou a a ser especulado, apenas porque virou caso de polícia, virou um caso publico. Quem é o culpado pelo bebê que nasceu ontem de cesariana eletiva e foi parar na UTI com desconforto respiratório, a complicação mais comum decorrente da cirurgia? "Ah, que bebê? Nem to sabendo..."

Se o seu preconceito ainda te faz pensar que duas vidas foram salvas da maneira como o caso foi abordado, mesmo com todas as evidências de que a mãe e o bebê não estavam em riscos reais para indicar uma cesariana, então eu te pergunto:

A favor do que você é, caso Adelir tivesse desobedecido a ordem judicial e se recusado a ir com os policiais? Que a levassem para depor na delegacia em pleno trabalho de parto? Que fosse detida em uma cela em trabalho de parto? Que atirassem nela (pois ainda não entendo porque os policiais foram armados), para "salvar" o bebê? Ela foi submetida à repressão. Sem escolha, ela teve que obedecer, porque muito sã da mente ela estava, então sabia que se batesse de frente naquele momento aí sim estaria colocando a vida dela e a de um nascituro em risco iminente de morte.

Se nós, homens e mulheres, seres humanos, permitirmos e apoiamos essa barbaridade e julgamos necessária a arbitragem para diminuir riscos mesmo que ínfimos, então devemos lutar para que cesariana eletiva seja proibida. Cesariana causa 2,5 vezes mais risco de morte ao bebê do que parto normal.

Devemos lutar para que gestantes que fumam ou usuárias de álcool sejam presas e fiquem em observação por nove meses para garantir que não farão uso dessas drogas, pois como sabido, causam risco de morte fetal, aborto espontâneo, parto prematuro e más formações congênitas sérias.

Devemos lutar para que homens e mulheres sejam obrigados a doar seus rins, para salvar a vida de uma criança, que está em risco.

Devemos lutar para que McDonald´s e Coca-cola sejam proibidos pois como sabido, doenças cardiovasculares são as que mais matam no Brasil e no mundo.

Devemos lutar para que gestantes, querendo ou não, sejam acompanhadas por doulas, pois sabe-se que a presença delas reduz 14% risco de internação do nascituro e 28% número de cesáreas desnecessárias.

Falando em doulas, fico tristíssima quando escuto que doula é modinha. É por pensamentos como este que médico, enfermeiro, fisioterapeuta, doula, nutricionista, psicólogos e outros nunca saberão trabalhar em equipe. É por pensamentos como esse que casos como o de Adelir ocorrem. Até mesmo profissionais da saúde estão questionando a importância de uma doula. Contraditoriamente, esses mesmos profissionais acham ruim que a sua categoria em questão é desvalorizada.

E esse também não é um caso de idealismos "parto normal x cesárea". Eu jamais optaria por uma cesárea eletiva, por motivos que já até expus aqui no blog, mas nem por isso julgo quem faz. Assim, se você é contra parto normal, não me julguem e nem julguem Adelir, até mesmo porque se você apoia o que foi feito contra ela, você apoia violência contra você mesma. Violência obstétrica é violência contra mulher, portanto você pode ser a próxima, pois esse caso abre precedentes para qualquer outro. 

Assim, um ou dez policiais poderão bater em sua porta, te obrigando a episiotomia, a parto normal, a cesárea, a ficar em casa, a ir para o hospital ou para a montanha, a ir para a banheira, a ficar na cama, a engravidar, a abortar... baseados na opinião de uma médica. Acordem. Somos todas Adelir!(http://somostodxsadelir.wordpress.com/)

Depois dessa semana cheia de violência e acusações, agora eu só consigo pensar nas minhas plantinhas molhadas às três da manhã. Elas me fazem lembrar que em pleno século 21, mulheres ainda não são tratadas como seres humanos. Agora minhas plantinhas me fazem lembrar que ainda temos que lutar para que possamos molhá-las e apagar a luz antes de sair de casa para dar à luz.


Veja o nascimento da Mariana, por parto natural hospitalar, pélvico:
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Um breve resumo do caso Adelir, se você não estiver por dentro do que está acontecendo:

Uma gestante de 42 semanas, em trabalho de parto foi retirada de casa a força por policiais e mandado judicial para ir ao hospital fazer uma cesariana, contra sua vontade. A gestante estava em casa, aguardando a evolução do parto para ir ao hospital, onde desejava ter parto normal. Gestante com histórico de duas cesáreas prévias e bebê pélvico (sentado). Gestante e bebê clinicamente estáveis conforme ultrassom realizado na data do ocorrido.

Gestação a termo por definição: 37 a 42 semanas.
Bebê pélvico (sentado): Indicação para parto normal pela Organização Mundial da Saúde e American College of Obstetricians and Gynecologists, com equipe especializada.
Risco de morte fetal em apresentação pélvica por cesariana: 2,3%
Risco de morte fetal em apresentação pélvica por parto normal: 2,5%
Risco de ruptura uterina em parto normal após cesárea: 0,5 a 1%, ou seja chance de até 99,5% de sucesso. 
Risco de histerectomia em parto normal após duas cesáreas: 0,6%
Risco de histerectomia em cesárea após duas cesáreas: 1%
Outros riscos maternos em parto normal após duas ou mais cesáreas aumentam tanto quanto os riscos em cesárea após duas ou mais cesáreas. Os riscos no caso da cesária também incluem hemorragias, além de lesões na bexiga, intestino e outros. Por isso, a possibilidade de parto normal após uma cesárea se estendeu para duas ou mais cesáreas.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Em luto pelo caso Torres-RS

Justiça do RS manda grávida fazer cesariana contra sua vontade...

Ontem à noite li em um blog esta notícia de que uma mulher grávida de quase 42 semanas, em trabalho de parto, foi tirada a força de casa por 10 policiais armados e com mandado judicial para que fizesse uma cesárea no hospital, o que agora está se transformando no caso Torres-RS.

Tive que ler várias vezes pois eu não conseguia acreditar. Fiquei chocada. Fui dormir e só conseguia pensar "que absurdo.. que absurdo do absurdo". Não conseguia nem organizar a minha mente me imaginando no lugar dessa mãe que sofreu tamanha crueldade e violência.




Hoje pela manhã a notícia já estava bem espalhada pelos jornais, facebook, etc. E continuo me chocando cada vez mais quando leio os comentários daquelas pessoas que, além de fascistas, não se dão nem ao trabalho de buscar informação antes de palpitar.




Se você é uma delas, que acha que esses médicos e essa juíza salvaram duas vidas, sinto muito por você, mas como ainda tenho esperança na humanidade, vou tentar esclarecer um pouco o que aconteceu para que, com a força da informação, as pessoas envolvidas sejam punidas.

Para começar, nós mulheres temos direito sobre o nosso próprio corpo. Pronto. Só isso deveria bastar.


Ah, mas aí vem um dizendo que era uma gestação perigosa...

Querido, nenhum útero vai explodir assim se a mulher tem histórico de cesárea prévia, como alegado pela médica, atualize-se. O risco é baixíssimo (0,5% a 1%). Isso é o que a médica deveria saber, que até eu que não sou médica, sei. Não há risco para parto normal, como se pensava antigamente, caso a mulher já tenha sido submetida a uma ou mais cesarianas.

Depois, não há motivo e indicação em fazer ultrassonografia no momento do parto. Será que a médica estava buscando pelo em casca de ovo? Não sei. Porém, acho muito estranho ela alegar que o bebê estava sentado e não querer mostras as imagens, além de ser antiético, ela descumpriu completamente a lei. Portanto, boa intenção ela não tinha. Até mesmo porque, os últimos exames que a gestante fez, com 39 semanas de gestação, vieram absolutamente normais.

Outros vem dizendo que, se ela já teve histórico de 2 cesáreas é porque alguma complicação deveria ter nessa gestação também. Querido (mais uma vez), ela justamente quis aguardar o parto evoluir em casa antes de voltar ao hospital para não ser vítima de uma desneCesárea pela terceira vez! Os motivos das suas cesarianas prévias foram que ela tinha alcançado 40 semanas de gestação. Nenhum, mas absolutamente nenhum bebê passa do ponto porque chegou em 40 semanas. A gestação normal vai até 42 semanas. Deu para entender?

Se não entendeu, vejamos as evidências. Uma revisão sistemática (que é um trabalho cientifico com maior nível de evidencia possível), de 2012, avaliou 9383 partos e verificou que de 41 ate 42 semanas o risco de complicações fetais é absolutamente pequeno. Tão pequeno que os autores colocam no final que cabe à mulher, levando em consideração preferências e expectativas, e não ao médico, decidir se aguarda mais a gestação finalizar (até as 42 semanas se completarem) ou interromper, induzindo o parto ou fazendo a cesariana.

Por último, para aqueles que dizem que ela é leiga e estava colocando a vida do bebê em risco, só uma coisa a dizer: ela estava acompanhada de uma profissional especializada e capacitada, e se ela optou e buscou parto normal, é porque buscou informação e venceu os preconceitos e os mitos que fazem do Brasil o país campeão mundial de cesáreas desnecessárias. Parabéns para ela que foi muito inteligente!

Alegaram direito ao nascituro.. mas sem provas, destruíram e roubaram mais um parto. Um parto que começou cheio de amor e desejos, em casa, no escuro e rodeado de velas, terminou com mãe arrastada pela polícia, amarrada na mesa cirúrgica e cheio de holofotes.

Que a justiça seja feita e essa mãe tenha força para superar esse trauma..

Faço minha parte que é divulgar o nome dessa médica:
https://www.facebook.com/andreia.castro.90?ref=ts&fref=ts

Esse é um dos médicos que participou da cesárea. e sua opinião:
https://www.facebook.com/marioggk


A juíza: Liliane Maria Mog da Silva

E que interessante... A juíza (que de juízo não tem nada) é amiga do marido da médica...

E por fim, um relato esclarecedor, inclusive sobre partos em caso de bebês sentados, de uma obstetra de luto:
https://www.facebook.com/notes/carla-andreucci-polido/arbitrariedade-e-incompetência/10200716428592734

Para saber mais sobre o caso, acesse:
http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2014/04/02/noticia_saudeplena,148157/mandado-judicial-retira-mae-em-trabalho-de-parto-de-casa-para-obriga.shtml


domingo, 30 de março de 2014

Dói amamentar?

Olá mamães e futuras mamães,

Acho que todas nós temos receio de sentir dor durante a amamentação pois já vimos ou ouvimos muitas mães reclamando de dor e/ou bicos rachados. Sim, amamentar dói, mas se feito de forma correta é possível prevenir.


Lendo livros e sites na internet ainda grávida eu sabia que a principal causa de dor e/ou bicos rachados é a pega incorreta do bebê. Então, até o dia em que a Luli nasceu eu estava tranquila, pois tinha toda a teoria na cabeça: os bebês devem abocanhar não só o bico, mas também toda a auréola (ou seja, abrir bem a boca), e manter os lábios enrolados para fora, como se estivessem fazendo boca de peixinho.





Toda molinha e sonolenta como todo bebê recém-nascido, lá estava ela em meus braços, pronta para sua primeira mamada. Na hora, a emoção e ansiedade por este momento tão esperado tomaram conta de mim. A última coisa que pensei foi na pega correta (mas acho que aquela não era hora mesmo para pensar nisso). Queria ela em mim e só. Resultado, saí toda roxinha.


Na próxima mamada lá estava eu, morrendo de dor e me dando conta de que eu sabia como tinha que ser feita a pega correta mas não tinha a mínima ideia de como fazer! Tinha a teoria, mas nunca tinha nem sequer visto um videozinho no youtube. No dia seguinte chamei a especialista em lactação que estava de plantão no hospital e o problema foi logo resolvido. Aprendi como fazer a Luli pegar corretamente e só fiquei dolorida ainda nos primeiros dias até o machucado do primeiro dia cicatrizar e depois não mais.


Vou deixar aqui algumas dicas que aprendi e que funcionaram comigo:

- Para ajudar o bebê a abocanhar toda a auréola, aperte com sua mão (a mesma do lado que o bebê estiver mamando) a região onde ela termina para que a auréola se torne uma continuação do bico.




- Quando for oferecer o seio, encoste o bico no lábio superior do bebê para estimulá-lo a abrir bem a boca.

- Se o bebê não abrir bem a boca e não pegar corretamente, tire-o do seio e comece de novo até que ele consiga. Para tirá-lo, coloque delicadamente seu dedo na boca dele para quebrar a sucção pois se você puxá-lo irá se machucar.


- No começo o bebê ainda é muito sonolento e molinho, o que vai exigir um pouco de paciência para que ele abra bem a boca. Portanto, é muito importante que você não espere ele chorar de fome para alimentá-lo. Ofereça o seio logo que ele começar a dar os primeiros sinais de fome, ou em tempos regulares, a cada 2 ou 3 horas por exemplo, assim os dois terão calma e tempo suficiente para tentar a pega correta quantas vezes forem necessárias. Será um grande jogo de paciência no começo.


- Esse jogo de paciência logo acaba assim que o bebê começa a ficar mais forte e aprende a abrir bem a boca. Uma dica é esperar que isso aconteça e a amamentação esteja bem estabelecida, geralmente entre 3 e 4 semanas de vida, para oferecer chupeta. A pega da chupeta é completamente diferente da do seio, o que pode confundi-lo. Além disso, o ato de sugar é extremamente cansativo para o recém-nascido, e ir mamar já cansado pela chupeta, pode prejudicar muito a amamentação e o ganho de peso.

- Se o bebê pegar todo o bico e bem a auréola mas não estiver com os lábios de peixinho não precisa retirá-lo. Puxe delicadamente os lábios dele para fora. Com os lábios nessa posição a sucção é mais eficaz, além de facilitar ainda mais a entrada da auréola na boca dele.


- Se ao final da mamada o bico estiver achatado na diagonal, em formato de batom novo, é sinal de que a pega não estava correta favorecendo o aparecimento de machucados.


- Outro sinal de que a pega não está correta é se o bebê faz barulhos parecendo beijinhos estalados enquanto mama. Esse barulho é ar entrando na boca dele, sinal de que ficou uma frestinha entre os lábios dele e o seio e ele está engolindo mais ar.

- Passe um pouquinho do seu próprio leite no bico do seio após as mamadas, se no começo ficar com a sensação de assadura no bico ou machucada. O leite materno tem um alto poder cicatrizante.

De todas essas dicas, acho que a mais importante é não esperar o bebê chorar de fome. Quanto mais agitado ele estiver, mais difícil é para ele pegar o seio e mais ainda para que o pegue de forma correta. Além disso, bebê nervoso deixa a mãe nervosa e nenhum dos dois terão paciência para tentar de novo se necessário. 

Mesmo que seja contra a amamentação baseada no relógio, talvez valha a pena seguir esse conceito pelo menos no começo, ou então fique bem atenta aos primeiros sinais de fome do bebê. Choro é o sinal tardio de fome. Alguns dos primeiros sinais de fome podem ser:


- Mudança de atividade: mexer-se ou acordar

- Movimentos de procura com a cabeça
- Movimentos com a boca de sucção e movimentos com a língua para fora da boca como se estivesse lambendo algo
- Mãozinhas na boca

Dentro destes sinais, o maior equívoco na minha opinião é ver o recém-nascido sugando o nada e com a mão na boca, achar que é apenas reflexo e necessidade de sugar, e oferecer-lhe a chupeta em vez do seio materno. Alguns especialistas acham que é reflexo, mas o consenso maior é de que na verdade, são sinais de fome. E se for reflexo, que ele sugue o peito materno, oras! Por que não? No começo não há leite, apenas colostro, e quanto mais o bebê sugar o peito, maiores são as chances de sucesso na amamentação, pois maior será o estímulo para produção de leite. Além disso, vocês ficam juntinhos e ele tem o aconchego da mamãe.


Outro fator importante é que, na maioria das vezes, os recém-nascidos são muito sonolentos, até para sinalizar que estão com fome. Como o leite maduro (com maior teor de gordura e açúcar) leva alguns dias para descer após o nascimento e o estômago deles é muito pequeno, os recém-nascidos ficam hipoglicêmicos facilmente quando dormem prolongadamente, o que os deixará mais molinhos ainda para pedir para mamar e mais sonolentos, portanto mais hipoglicêmicos, num ciclo vicioso. Sou a favor da amamentação em livre demanda, mas no começo pode ser perigoso! Converse com seu médico sobre isso.


Lembrem-se que uma pega correta é fundamental para o sucesso da amamentação.

Espero ter ajudado!

domingo, 16 de março de 2014

Slingando

Slingar, slingando, slingada. Talvez você já tenha ouvido estes termos aportuguesados mas não tenha visto muitos bebês em slings por ai. Eu sinceramente não me recordo de ver muitos bebês passeando pelas ruas, praias, mercados e shoppings do Brasil, enrolados nesse pano. Talvez não tenha reparado? Não sei. Tem coisa que a gente só repara depois que fica grávida, não é? Só sei que aqui nos EUA, você se depara com um bebê sendo slingado em cada esquina. É literalmente lindo. Cada estampa maravilhosa e panos trabalhados pendurando um bebê todo enrolado, aconchegado e fofinho no colo. Confesso que foi esse o motivo pelo qual eu comprei um sling bem antes da Luli nascer, mas logo percebi os muitos benefícios que ele traz tanto para ela, quanto para mim.

O sling traz os muitos benefícios que o colo proporciona, como já discutidos neste blog (veja aqui), de uma maneira muito mais aconchegante para o bebê e fácil para a mãe. O bebê sente-se mais protegido, pois além de ficar perto do corpo da mãe sentindo seu cheiro e calor, coração e respiração, ele fica apertadinho e contido, como no útero. Enquanto isso, a mãe tem suas mãos livres para afazeres domésticos, compras, trabalho, ler um livro, etc.

Há muitos outros benefícios como:

- Como todo tipo de contato físico com o bebê, favorece o vínculo.
- Além dos pais terem mãos livres, ajuda a descansar os braços pois o peso do bebê é distribuído melhor pelo corpo dos pais.
- Simula ambiente uterino para os recém-nascidos pois, além de aconchegante, dá o embalo que ele recebia enquanto estava na barriga.
- Ajuda na cólica e refluxo pois o bebê fica com a barriga quentinha em contato com o corpo dos pais e pela posição mais vertical, dificulta o refluxo.
- Os movimentos de abaixar, levantar e andar, estimulam ajustes corporais do bebê, ajudando o desenvolvimento motor. Bebês que são slingados se desenvolvem melhor.
- Há estudos que mostram redução de até 53% do choro durante o dia e ganho mais rápido de peso pelo bebê que é carregado em um sling.
- Reduz agitação e facilita o pegar no sono. 
- Bebês slingados dormem melhor.
- Durante um passeio ou mesmo em casa, permite que o bebê tenha uma visão vertical e na mesma altura da mãe, compartilhando e entendendo melhor os estímulos recebidos. Em um carrinho, o bebê tem a recepção sensorial e visual prejudicadas, pois quando sentado, ele permanece na altura do joelho de um adulto e quando deitado, passa a olhar apenas o céu. A visão periférica também é prejudicada ainda pela cobertura do pano do carrinho.
- Permite amamentação em publico discreta e até mesmo caminhando pela rua.
- Trazendo tantos benefícios ao bebê, o sling deixa os pais mais felizes, calmos e confiantes também.
- São lindos e baratos.

Aqui em casa usamos muito o sling. Todos os dias. Para trabalhar, arrumar a casa, cantar para ela, acalmá-la ou quando queremos simplesmente ela bem pertinho da gente. Quando vamos passear, a preferência é que ela sempre saia no nosso colo também. Ela adora e é o maior sucesso. 

Para quem quiser mais informações sobre tipos, modelos e como usar, recomendo este site:

Desde 2004, todo mês ocorre a Slingada. Um grupo de orientadores reúne mães e ensinam como usar um sling (não é nada fácil no começo), de graça.

Lembre-se que dar colo não é mimar um bebê e nem criar um criança dependente. Você mima uma criança privando-a de frustrações e desafios, dando a ela tudo o que ela pede e livrando-a de suas responsabilidades e da culpa de seus erros. Dar colo é dar amor, segurança. É construir uma base emocional sólida hoje para uma criança mais confiante no futuro. É dar a segurança que ela precisa para poder se desprender.


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quinta-feira, 6 de março de 2014

Violência obstétrica antes, durante e após o nascimento

Infelizmente muitas mulheres no Brasil sofrem de violência, tanto física quanto moral, no momento mais sublime de suas vidas. Aquele momento que deveria ser de acolhimento e respeito para que nós mulheres possamos entrar no mundo da maternidade com o mais puro sentimento de amor pelo nossos filhos e nada mais. Nenhum outro sentimento deve atrapalhar o amor, inundado pela aquela tal de ocitocina, que a mãe é capaz de dar para o recém-chegado.

Porém, infelizmente não é essa a experiência que muitas mulheres no Brasil vêm relatando. A realidade é muito chocante. Uma em cada quatro mulheres sofre violência durante o trabalho de parto (normal e cirúrgico). Braços e pernas amarradas, piadinhas inoportunas, procedimentos sem consentimento, cesáreas desnecessárias, proibição de acompanhantes, palavras hostis e outras atitudes fazem parte do cenário. São humilhadas e desrespeitadas. Sentem medo, desamparo e solidão. Assim elas recebem o mais lindo fruto de suas vidas em seus braços, sem dignidade e com uma tristeza profunda que as marcarão para sempre.

Dentro dessa gama de atos de violência contra a parturiente, conhecida mundialmente como violência obstétrica, faz parte a indicação desnecessária de cesáreas, ou a desneCesárea. Lá no finzinho da gestação, depois de passar meses dizendo ser a favor de parto normal, numa fase de muita ansiedade, muitas desculpas são criadas pela equipe para indicar uma cesárea. Bem lá no finzinho, quando já se criou um vínculo médico/paciente e não dá mais tempo de procurar outro profissional. 

Pressão alta (sem sinais de pré-eclâmpsia), bebê que não encaixou (o bebê só encaixa durante o trabalho de parto), bebê que passou do ponto (com menos de 41 semanas e 6 dias de gestação), cordão umbilical no pescoço (o cordão pulsa por até alguns minutos depois do nascimento, portanto o bebê respira pelo umbigo durante todo o nascimento, não pela traqueia), pouco líquido amniótico (quando no final da gestação), e por ai vai. (Veja a lista completa aqui).

Sou adepta sim de parto normal, mas não sou contra cesárea. A cirurgia é muito bem vinda quando bem indicada, pois surgiu para salvar e salva muitas vidas. Eu mesma e minha irmã nascemos a partir de cesarianas. Ela nasceu de uma neCesárea pois ficou sentada até o final, e eu nasci de uma desnecesárea. Portanto, sei muito bem que uma mãe não ama mais ou menos seu filho pelo modo que ele veio ao mundo (parece estranho, mas já presenciei muito esse tipo de discussão).

Também sou totalmente a favor do direito de escolha, que é de todas nós e pertence somente a nós. O meu objetivo aqui não é julgar ninguém por escolha e nem tocar aquelas que quiseram mas não puderam ter seu parto de forma natural, mas sim ajudar a esclarecer futuras mães e apontar para um lado da cesárea que também considero como violência obstétrica. 

Violência obstétrica começa antes da sala de parto.

Na minha opinião, além da desnecesárea realizada naquelas que desejavam um parto normal, a cesárea eletiva mesmo quando realizada a pedido da mulher, na maioria dos casos (não em todos), no fundo, não é uma escolha da mulher e sim do médico.

Medo infundado do parto e criado pelo próprio médico. Informação não fornecida durante uma consulta. Sim, a violência contra a gestante começa muito antes. Começa nos consultórios. No pré-natal. Assim muitas mulheres fazem suas escolhas: baseadas em mitos, desinformadas e sem consciência de todos os efeitos e consequências. Assim, sem nem sequer terem tido o direito de escolha.

Hoje há uma inversão de valores criada também pela própria sociedade. Aquele noticiário que mostrou um bebê que morreu durante o parto no SUS e que nunca mostrará, por motivos óbvios, a realidade dos hospitais de ponta, faz com que corajosa seja aquela que decide por ter um parto que como o próprio nome já diz, é normal.

Já tive o desprazer de ler uma entrevista com um médico que dizia que a cesárea é mais segura que parto normal, cuja explicação dada foi que o risco de complicações de um parto normal feito por uma equipe despreparada é maior do que uma cesárea. Claro, qualquer procedimento feito por um açougueiro não deve ser muito seguro mesmo. Além de que provavelmente esse médico não deve saber conduzir um parto normal, também não sabe fazer comparações (Fonte: Só podia ser na revista Veja).

Felizmente a Organização Mundial da Saúde sabe e conduziu um grande estudo observacional em 24 países diferentes, incluindo o Brasil, o World Health Organization Global Survey on Maternal and Perinatal Health (WHOGS). Nesse estudo, eles observaram mais de 286 mil nascimentos no período entre 2004 e 2008, e chegaram às seguintes conclusões:

- A cesariana sem indicação mostrou-se fortemente associada com maiores taxas de mortalidade materna, admissão em UTI, hemotransfusão, histerectomia, infecções, ruptura uterina futura, além das complicações presentes em qualquer tipo de cirurgia abdominal. Nesse trabalho ficou indicado que a taxa de cesariana segura é de 10 a 15%, ou seja, essa é a probabilidade de mulheres terem uma indicação necessária de cesariana em qualquer lugar do mundo. Abaixo dessa expectativa há aumento de complicações e morte por falta de tecnologia e acima, por excesso de tecnologia.


- Para o bebê, o resultado encontrado foi ainda pior. Aumento de complicações perinatal e neonatal foram associadas com cesariana, independentemente da indicação. Ou seja, tanto em cesáreas necessárias quanto desnecessárias. Dentre essas complicações estão: morte perinatal, fetal e neonatal precoce e hospitalização em UTI.


A maioria das complicações perinatais e neonatais estão relacionadas com o risco de laceração do bebê pelo próprio bisturi, prematuridade e complicações respiratórias. 

A definição de que uma gravidez normal vai de 37 a 42 semanas de gestação não significa que tanto faz para o bebê nascer entre esse período. Significa que, os bebês podem ficar prontos a qualquer momento dentro desse período. A minha filha ficou com 41 semanas e o seu filho(a) pode ficar com 38 semanas. A grande questão da cesariana é retirá-los da barriga antes do tempo, antes de estarem prontos, e para um bebê em desenvolvimento, uma semana ou até mesmo um dia faz muita diferença. Para cada dia de prematuridade, há aumento proporcional do risco de complicações ao nascer, principalmente as cárdio-respiratórias, e nada nem ninguém é capaz de prever exatamente a data de nascimento de um bebê.

Se eu tivesse agendado uma cesariana para minha filha com 40 ou 38 semanas de gestação, ela poderia ter nascido com uma ou até três semanas de prematuridade. No meu círculo social, infelizmente duas amigas queridas passaram por uma cesariana desnecessária e tiveram suas filhas internadas numa UTI, intubadas e com risco de morte, por pelo menos um mês. O motivo da internação não foi por doença pré existente ou genética, mas sim por decorrência da cirurgia. E eu não me lembro de ter ouvido sobre os casos delas e de milhares de outras na televisão.

Há também o processo mecânico durante o parto normal que influencia positivamente. Durante o parto natural o bebê é comprimido pelo canal vaginal e o liquido aminótico presente em seu pulmão é expulso. Durante uma cesárea isso não acontece portanto há maior risco de desconforto respiratório ao nascer, risco de infecções pulmonares nos primeiros dias de vida e efeitos a longo prazo como asma e alergias respiratórias. 

Além disso, há diversas outras consequências e uma delas é no aleitamento materno. Dentre muitos estudos sobre amamentação e cesarianas, um grande trabalho publicado recentemente no American Journal of Clinical Nutrition que envolveu mais de 500 mil participantes em 33 países encontrou que cesariana está fortemente correlacionada com dificuldade e problemas no aleitamento materno e menor chance de amamentação até o sexto mês de vida do bebê.

Portanto, parto normal é mais seguro e saudável e a recuperação é, sem dúvida, muito mais rápida e indolor. Você fica muito mais disposta e capaz de cuidar de quem agora só depende de você. Não há cicatrizes e seu corpo retorna à forma que era antes mais rapidamente. E se o medo for da dor, não podemos esquecer que ela nem sempre acontece, e que também existe a famosa anestesia epidural.

Nessa discussão sobre qual método é mais benéfico, o que mais me choca, mais até que as estatísticas de morbimortalidade, é a violenta exclusão na qual a mãe é submetida. Veja nesta foto em uma sala cirurgica, uma mãe com seus braços amarrados e impedida de ver e participar do processo. A distância que uma cesariana causa entre a mãe e o nascimento é explicitamente mostrada nessa foto na qual a mulher olha para trás enquanto nasce o seu prórpio filho...



O recém-nascido também é vitima de violência obstétrica 

Ao nascer por uma cesariana, o bebê precisa ficar em uma incubadora longe da mãe. Enquanto a mãe tem sua cirurgia finalizada, o bebê fica em observação pelo risco de apresentar desconforto respiratório e portanto, como consequência e não como necessidade primária, precisa ser aquecido artificialmente. Sabe-se que, ao nascer de forma natural, não há esse risco e o corpo da própria mãe pode aquecê-lo.

Com uma cesárea eletiva, o bebê não recebe informações psicofísicas que irá nascer, tornando o nascimento muito mais traumático. Além disso, diferentemente de um ambiente cirúrgico, durante o parto normal, o bebê chega em um ambiente tranquilo, aconchegante, com pouca luz e direto para o importante contato com a mãe. 


É um direito do bebê ficar com a mãe ao nascer. Desde 1986 já é recomendado pela OMS que o bebê deve ficar por pelo menos uma hora em contato físico com a mãe, pele-a-pele e não enrolado em um pano, logo após o nascimento. Há diversos benefícios fisiológicos comprovados cientificamente como por exemplo, redução do stress e do choro, estabilização da glicemia do bebê e maiores chances de sucesso da amamentação. 

Se não há indicação e beneficio real para se fazer uma cesariana, por que impedir esse desejo e direito de todo recém-nascido? Por que submetê-lo à violência da separação?

Assistam o vídeo, dura apenas um minuto.



O dia do parto não é um dia como outro qualquer. Não é como ir a um jantar ou a um compromisso marcado. É o seu filho que está chegando e você não precisa ser excluída do processo por detrás de um pano. É o seu filho que está chegando ao mundo e você pode recebê-lo em seus braços.




Nestes grupos você pode encontrar informações e apoio para um parto normal e humanizado:

segunda-feira, 3 de março de 2014

Lista de indicações reais e fictícias de cesariana

Navegando pelo mundo dos blogs encontrei esta lista com as indicações reais e fictícias de cesariana, feita para ser divulgada. A médica Dra. Melania Amorim autora da lista a fez em 2005 e a mantém atualizada constantemente.

http://estudamelania.blogspot.com/2012/08/indicacoes-reais-e-ficticias-de.html

Ela esclarece também porque cordão umbilical enrolado no pescoço (presente em até 40% dos nascimentos) não é indicação de cesariana. Nesse mesmo link você também pode assistir a um vídeo de parto normal no qual o bebê nasceu com circular de cordão no pescoço. 


Compartilho também em meu blog para que vocês, futuras mamães que desejam um parto normal, fiquem atentas!